segunda-feira, 14 de julho de 2008

Esperando no Senhor


O TEMPO DA PROMESSA DE DEUS

Autor: Vera Lucia Aniceto de Souza

Enviado por: Vera Lucia Souza em 26/04/2006



Gostaria de compartilhar uma lição que o Espírito Santo me tem ensinado nesta minha caminhada com Deus. Este estudo fala de algo muito importante para a vida dos filhos de Deus. Ele fala de como conhecer o tempo de Deus para nossa vida. O que Deus quer nos ensinar com o tempo de espera, para que algo que estejamos buscando venha a se realizar?
É preciso, primeiramente, saber o que significa a palavra tempo:
"Tempo. S.m. 1. A sucessão dos anos, dias horas, etc., que envolve a noção do presente, passado e futuro. 2. Momento ou ocasião apropriada para que uma coisa se realize" (Aurélio).
A Palavra de Deus nos fala, em Eclesiastes 3.1, o seguinte: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”.Mas o que é o tempo de Deus e o que é o tempo do homem?Há duas palavras gregas para “tempo”:Uma é Chronos, que significa tempo em geral, isto é, o momento em geral em que algo é feito. Exemplo: Que horas são?A outra é Kairos, é o tempo estratégico, ou o tempo certo; o momento oportuno em que algo deve ser feito. Exemplo: Uma porta de oportunidade é o tempo kairos; um ataque na hora certa em uma guerra é o tempo kairos; quando alguém está em perigo ou está para ser atacado por Satanás, este é um tempo kairos.Podemos, então, definir o tempo do agir humano como tempo Chronos e o tempo de agir de Deus como Kairos. O mundo espiritual trabalha no tempo kairos.“... dos filhos de Issacar, entendidos nas ciências dos tempos, para saber o que Israel deveria fazer...” (1 Crônicas 12:32).Com essa pequena introdução sobre o que é o tempo, podemos estudar a história de um de homem que não perdeu a visão da promessa que receberia de Deus por causa do passar do tempo, mas, ao contrário, perseverou e viu o cumprimento dela.“Chegaram os filhos de Judá a Josué em Gigal; e Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, lhe disse: Tu sabes o que o SENHOR falou a Moisés, homem de Deus, em Cades-Barnéia, a respeito de mim e ti. Tinha eu quarenta anos quando Moisés, servo do SENHOR, me enviou de Cades-Barnéia para espiar a terra; e eu lhe relatei como sentia em meu coração. Mas meus irmãos, que subiram comigo, desesperaram o povo; eu, porém, perseverei em seguir o SENHOR, meu Deus. Então Moisés, naquele dia, jurou, dizendo: Certamente a terra em que puseste o pé será tua e de teus filhos, em herança perpetuamente, pois perseveraste em seguir o SENHOR, meu Deus. Eis, agora, o SENHOR me conservou em vida, como prometeu; quarenta e cinco anos há desde que o SENHOR falou esta palavra a Moisés, andando ainda Israel no deserto, e já agora, sou de oitentas e cinco anos. Estou forte ainda hoje como no dia em que Moisés me enviou; qual era a minha força naquele dia, tal ainda agora para o combate, tanto para sair a ele como para voltar” (Josué 14.6-11)”.Podemos ler, na história do povo de Deus, que Calebe e Josué faziam parte do grupo que foi escolhido para espiar uma terra que seria do povo de Israel. Mas somente a eles foi dada e cumprida a promessa de Deus.Calebe representa cada um de nós hoje em dia. Recebemos a nossa promessa (seja ela da restauração do casamento, da cura de uma doença, do sucesso financeiro e profissional, da libertação e conversão de um ente querido, ou até mesmo de um chamado no coração de fazer obra de Deus, seja como pastor, obreiro, levita, etc.), e saímos para espiar a nossa terra. Porém, a realização da promessa de Deus em nossa vida dependerá de como nós lidaremos com as circunstâncias adversas que nos envolvem, como barreiras que se levantam, o tempo que está passando, perseguições e tantas coisas que acontecem na vida de um cristão, para nos fazer perder a visão da promessa de Deus e olharmos mais para os “gigantes espirituais” do que para Aquele que é poderoso para cumprir a promessa.Para marcarmos o nosso tempo como Calebe, nós não podemos perder a visão da promessa de Deus para a nossa vida. Quem não a perde nunca fica desanimado nem prostrado. A questão não é o tempo do seu cumprimento e sim que Deus irá cumpri-la ao Seu tempo. Quando o Senhor nos faz uma promessa ela já está pronta para se manifestar em nossa vida, mas a questão é se nós estamos prontos para receber o seu cumprimento (Lucas 18.7-8).Toda promessa de Deus para a vida do homem passa pelo teste do tempo (Habacuque 2.3). Não porque Deus se esqueceu dela, de nós, ou porque o tempo é um empecilho para Deus agir, mas é simplesmente porque Deus usa o tempo como um instrumento de aperfeiçoamento, de cura, de perseverança em nossa vida para que a possamos recebê-la como bênçãos.O grande problema é quando tentamos ajudar Deus a cumprir a promessa. Temos, entre tantos exemplos nas Escrituras Sagradas, o caso de Abrão que recebeu a promessa de Deus que ele e Sarai teriam um filho. Mas Sarai quis dar uma “ajudinha a Deus” para agilizar o cumprimento da promessa, entregando sua escrava Hagar para conceber-lhe um filho. Como conseqüência desse ato, Abrão teve o retardamento de sua promessa em quatorze anos, mas mesmo assim ele não olhou para o tempo que decorria nem duvidou por incredulidade na promessa de Deus, mas, pela fé, se fortalecia dando glória a Deus, apesar de todas as circunstâncias naturais dizerem o contrário. Temos de ter, firmemente em nosso coração, que DEUS NÃO PRECISA DA NOSSA AJUDA. ELE QUER SOMENTE A NOSSA FÉ! Infelizmente não podemos nos esquecer de um terrível inimigo que nos impede de receber as nossas bênçãos. Ele se chama ANSIEDADE, isto é, estado emocional em que há sentimento de insegurança. A pessoa ansiosa não consegue ver o que e como Deus está trabalhando em sua vida. Um exemplo disso é quantas vezes recebemos uma Palavra Profética de algo maravilhoso que vai acontecer conosco, guardamos aquilo no coração um tempo, dois, tempos, três tempos, mas o tempo está passando e nada acontece. Então chegamos a Deus e murmuramos: “Mas o Senhor disse...”, “está escrito”, entre tantas outras coisas que falamos e fazemos. Por que ficamos ansiosos? É porque tiramos os olhos da infinita grandeza de Deus e olhamos para o limite do nosso tempo. O Senhor Jesus Cristo não nos chamou primeiramente para ver e sim para crer, descansar em Suas promessas, pois Ele está trabalhando em nós. “Senhor, concede-nos a paz, porque todas as nossas obras tu as fazes por nós” (Isaías 26.12). Devemos pedir a Deus que nos ensine a lidar com o tempo. Para nós é tempo; para Deus é tratamento. Isso nos leva a uma outra pergunta: Por que Deus está me tratando? Para que, quando ela se manifestar, se torne uma benção e não uma maldição na vida do homem, para que seja motivo de louvor e glória a Ele.Para concluir, o que vai fazer a diferença em nossa vida não é o tamanho da promessa, de sua maravilha ou do tempo que ela irá levar para se manifestar; o que vai fazer a diferença é, independentemente disso tudo, se iremos perseverar em seguir o Senhor até o fim. Calebe levou quarenta e cinco anos, mas ele perseverou em seguir a Deus. Devemos segui-Lo, independentemente do que estamos sentindo, vivendo, ou recebendo. Quando perseveramos em servir a Deus, as bênçãos vêm e nos alcançam. Calebe disse que quarenta e cinco anos depois ele tinha a mesma força. Ele não perdeu a visão da promessa de Deus para sua vida; ele não perdeu a fé; ele perseverou e conquistou. Como eu estou (você está) acelera ou retarda o milagre do cumprimento da promessa de Deus. Como Estamos?Que Deus abençoe a todos que lerem este artigo; que ele ilumine o nosso coração para que possamos reconhecer as Suas maneiras de lidar com cada um de nós.

domingo, 29 de junho de 2008

Baby, I love you!!!


Você precisa saber da piscina,Da Margarina, da Carolina,

da Gasolina

Você, precisa saber de mim

Baby, baby

Eu sei que é assim

Você precisa tomar um sorvete

Na lanchonete

Andar com a gente, me ver de perto

Ouvir, aquela canção do Roberto

Baby, baby há quanto tempo

Você precisa aprender inglês

Precisa aprender o que eu sei

E o que eu não sei mais e o que eu não sei mais

Não sei, comigo vai tudo azul

Contigo vai tudo em paz

Vivemos na melhor cidade

Da América do Sul

Da América do Sul

Você precisa, você precisa, você precisa

Não sei, leia na minha camisa

Baby, baby, I love youBaby, baby, I love you

Esperar no Senhor


Em minha alma há uma bela canção
Que há tempos eu tento expressar
Com palavras também
E me vejo num frio sem fim
Mesmo assim posso ouvir
sua voz entoando outra vez
Então eu vou me repousar
E ergo as mãos ao céu para orar
Pra que eu seja sempre seu
Pra que eu seja sempre seu, pois sei que meu alento é você.
Quero ouvir as cantigas dos céus
das galáxias dançando e sorrindo alegres também
Se os meus sonhos tão longe eu sentir
Cante ao menos canções de seus planos para mim outra vez
Então eu vou me repousar
E ergo as mãos ao céu para orar
Pra que eu seja sempre seu
Pra que eu seja sempre seu, pois sei que meu alento é você.
Eu dou meu destino a Ti
e tudo que há em mim
quero sua música
cantada com todo o meu ser
com meu fôlego sim
devolvo tudo a ti

sexta-feira, 2 de maio de 2008

O que podemos fazer?




Gangsta's Paradise (tradução)
Coolio
Composição: Coolio

Música: Paraíso dos Bandidos
Enquanto eu caminho pelo vale da sombra da morte
Eu dou uma olhada em minha vida
e percebo que não sobrou nada
Porque tenho farreado e estou rindo há tanto tempo
Que até minha mãe acha que meu juízo acabou
Mas eu nunca atraiçoei um cara que não merecesse
Eu, ser tratado como um imprestável
Você sabe que nunca aconteceu
É melhor que você preste atenção como está falando
E onde está andando
Ou você e tua família podem acabar marcados no chão com giz
Eu realmente odeio me enganar, mas tenho que trancar
Enquanto eles resmungameu me vejo na fumaça da pistola
Babaca, sou o tipo de gangster
que os garotinhos da família querem ser
De joelhos à noitefazendo orações na luz da rua
REFRÃO:
Desperdiçando a maior parte de nossas vidas
vivendo no paraíso de bandidos (x2)
Continuamos a desperdiçara maior parte de nossas vidas
vivendo no paraíso dos bandidos (x2)
Olhe a situação que eles me fizeram encarar
Não consigo viver uma vida normal,
fui criado pelo estado
Então tenho que ficar com a turma do bairro
Assistir televisão demais me deixou perseguindo sonhos
Sou um bobo educado, com dinheiro na cabeça
Tenho meus dez na mão e um brilho nos meus olhos
Sou um bandido trancado no lado de fora,um fogo de artifício ligeiro
E meus familiares estão deprimido
sentão não provoque minha raiva
Babaca! Morte não é nada,
está apenas a uma batida de coração de distância
Estou vivendo a vida, vivo ou morro, o que posso dizer?
Tenho 23 anos agora, viverei para ver os 24?
Do jeito que as coisas estão indo, não sei
Me diga, porque somos tão cegos para perceber
Que aqueles que magoamos somos eu e você?
REFRÃO
O poder no dinheiro, o dinheiro no poder
Minuto após minuto, hora após hora
Todo mundo está fugindo,mas metade não está olhando
Está rolando na cozinhamas não sei o que está cozinhando
Eles dizem que tenho que aprender
Mas não tem ninguém aqui para me ensinar
Se eles não conseguem compreender isso,
como eles podem me alcançar?
Acho que eles não podem, acho que eles não vão
Acho que eles estão encarando
É por isso que sei que minha vida está sem sorte, babaca!
REFRÃO
Me diga, porque somos tão cegos para perceber
Que aqueles que magoamos somos eu e você?
Me diga, porque somos tão cegos para perceber
Que os únicos que ferimos fomos eu e você?


in memorian Hugo R Silva - GSA - completaria 22 anos amanhã se não tivessem tirado sua vida

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Linkup - Mon Etolie (tradução)


Não me pergunte de onde venho
As cicatrizes sobre meu caminho
Mas isso vai mudar
No fundo...
Você sabe e isso está pra mudar
No fundo...
Aonde você vai
Sobre o oceano de avenidas
Mas nunca por acaso
Eu acredito na minha estrela
De mudar as cores da escuridão
Eu acredito na minha estrela
Ela é o ponto de partida
A manhã de todas as minhas historias
Não me pergunte pra onde vou
Se tenho uma rota, um plano secreto
Ele não é uma coisa que conheço
No fundo...
Eu cheguei quase lá
Pelo mais belo caminho que há
É a única coisa que sei
No fundo...
Eu acredito na minha estrela
De mudar as cores da escuridão
Eu acredito na minha estrela
Ela é o ponto de partida
A manhã de todas as minhas historias
Eu acredito na minha estrela
De mudar as cores da escuridão
Eu acredito na minha estrela
Ela é o ponto de partida
A manhã de todas as minhas historias
A manhã de todas as minhas historias
Eu cheguei quase lá
Pelo mais belo caminho que há
É a única coisa que sei
No fundo...

terça-feira, 11 de março de 2008

Clown













Luís Otávio Burnier

O clown é a poesia em ação.Henry Miller

Segundo Roberto Ruiz, a palavra clown vem de clod, que se liga, etimologicamente, ao termo inglês "camponês" e ao seu meio rústico, a terra (1). Por outro lado, palhaço vem do italiano paglia (palha), material usado no revestimento de colchões, porque a primitiva roupa desse cômico era feita do mesmo pano dos colchões: um tecido grosso e listrado, e afofada nas partes mais salientes do corpo, fazendo de quem a vestia um verdadeiro "colchão" ambulante, protegendo-o das constantes quedas (2).
Na verdade palhaço e clown são termos distintos para se designar a mesma coisa. Existem, sim, diferenças quanto às linhas de trabalho. Como, por exemplo, os palhaços (ou clowns) americanos, que dão mais valor à gag, ao número, à idéia; para eles, o que o clown vai fazer tem um maior peso.
Por outro lado, existem aqueles que se preocupam principalmente com o como o palhaço vai realizar seu número, não importando tanto o que ele vai fazer; assim, são mais valorizadas a lógica individual do clown e sua personalidade; esse modo de trabalhar é uma tendência a um trabalho mais pessoal. Podemos dizer que os clowns europeus seguem mais essa linha. Também existem as diferenças que aparecem em decorrência do tipo de espaço em que o palhaço trabalha: o circo, o teatro, a rua, o cinema, etc.
O clown ou palhaço tem suas raízes na baixa comédia grega e romana, com seus tipos característicos, e nas apresentações da commedia dell'arte (3). Nas festividades religiosas e nas apresentações populares da Antigüidade, havia uma alternância entre o solene e o grotesco. Esse é um fato comum a povos distintos: dos gregos até os aborígines da Nova Guiné, passando pelos europeus da Idade Média ou pelos lamaístas do Tibete.
Esta combinação do cômico e do trágico acentua a percepção de emoções contrapostas e é muito peculiar ao clown. Para Shklovski (4), o clown faz tudo seriamente. Ele é a encarnação do trágico na vida cotidiana; é o homem assumindo sua humanidade e sua fraqueza e, por isso, tornando-se cômico.





"Os palhaços sempre foram parte integrante do circo. Num espetáculo de perícia física, que produz na assistência uma reação mental - deslumbramento, espanto, admiração e apreensão - é preciso haver um complemento: um conceito mental que produza no público uma reação física, ou seja, o riso" (5). O clown espanta o medo, esta é a sua função.
Existem dois tipos clássicos de clowns: o branco e o augusto. O clown branco é a encarnação do patrão, o intelectual, a pessoa cerebral. Tradicionalmente, tem rosto branco, vestimenta de lantejoulas (herdada do Arlequim da commedia dell'arte), chapéu cônico e está sempre pronto a ludibriar seu parceiro em cena. Mais modernamente, ele se apresenta de smoking e gravatinha borboleta e é chamado de cabaretier. No Brasil, é conhecido por escada.
O augusto (no Brasil, tony ou tony-excêntrico é o bobo, o eterno perdedor, o ingênuo de boa-fé, o emocional. Ele está sempre sujeito ao domínio do branco, mas, geralmente, supera-o, fazendo triunfar a pureza sobre a malícia, o bem sobre o mal. Adoum afirma que a relação desses dois tipos de clowns acaba representando cabalmente a sociedade e o sistema, e isso provoca a identificação do público com o menos favorecido, o augusto.

Os tipos cômicos: elementos de uma generalogia
Os tipos característicos da baixa comédia grega e romana; os bufões e bobos da Idade Méida; os personagens fixos da commedia dell'arte italiana; o palhaço circense e o clown possuem uma mesma essência: colocar em exposição a estupidez do ser humano, relativizando normas e verdades sociais.
Segundo Bakhtin, a cultura cômica popular da Idade Média, principalmente a cultura carnavalesca, possuía uma grande diversidade: festas públicas carnavalescas; ritos e cultos cômicos especiais; os bufões e tolos; gigantes, anões e monstros; palhaços de diversos estilos; a literatura paródica etc. (6) O riso carnavalesco abalava as estruturas do regime feudal, abolia as relações hierárquicas, igualava pessoas que provinham de condições sociais distintas. Era contrário a toda perpetuação, a toda idéia de acabamento e perfeição, mostrando a relatividade das verdades e autoridades no poder. Todos são passíveis de riso e ninguém é excluído dele; era a percepção do aspecto jocoso e relativo do mundo.
Os bufões e bobos, por exemplo, assistiam sempre às funções cerimoniais sérias, parodiando seus atos, construindo ao lado do mundo oficial uma vida paralela. Esses personagens cômicos da cultura popular medieval eram os veículos permanentes e consagrados do princípio carnavalesco na vida cotidiana. Os bufões e bobos não eram atores que desempenhavam seu papel no palco; ao contrário, continuavam sendo bufões e bobos em todas as circunstâncias da vida. Encarnavam uma forma especial de vida, simultaneamente real e irreal, fronteiriça entre a arte e a vida.
Nos séculos XV e XVI, surgiu a chamada commedia dell'arte, ou comédia de máscaras. Esta típica forma de teatro do Renascimento italiano teve, conforme Gassner, uma dupla origem na arte da mímica que, brotando dos farsistas populares do período romano, evoluiu até os atores-jograis ambulantes da Idade Média e das comédias formais de Plauto e Terêncio. (7)
A commedia dell'arte era baseada num roteiro (canovaccio), que servia como suporte para que os atores improvisassem. Esse roteiro não era um texto estruturado: indicava apenas as entradas e saídas dos atores, os monólogos, os diálogos, episódios burlescos, os cantos e danças. Personagens fixos e situações codificadas facilitavam o jogo espontâneo da improvisação (8)
Esse teatro teve uma grande aceitação na época, pois era do universo cotidiano do público que os atores tiravam a base para sua representação. Fazia descrições vivas de tipos característicos e costumes contemporâneos, envoltas em tramas de intriga amorosa. Os velhos eram satirizados como tolos, e intermináveis variações eram indroduzidas no tema da traição e do marido traído.
Os personagens eram fixos e possuíam máscaras próprias, cujas linhas revelavam o caráter pessoal de cada um. Os principais eram: Pantalone, o velho, rico e tolo mercador de Veneza; Dottore, personificação do pedantismo dos intelectuais da época; Capitão Mata-Mouros, soldado fanfarrão e covarde, metido a valente; Arlecchino, servo esfomeado e atrapalhado; Brighella, servo astuto e briguento; Pulcinella, ora servo, ora patrão, de índole cruel e violenta; Os Enamorados, jovens apaixonados e sensíveis. Embora mascarados e tipificados, eram fortemente individualizados quanto à fala e dialeto. Geralmente, os intérpretes assumiam um papel por toda a vida. (9)
Na commedia dell'arte apareceram, de certa forma, resquícios da dupla de cômicos, os zanni, servos da commedia dell'arte, cuja relação se aperfeiçoará nos clowns. A eles cabia a tarefa de provocar o maior número de cenas cômicas, por suas atitudes ambíguas e suas trapalhadas e trejeitos. Existiam dois tipos distintos de zanni: o primeiro fazia o público rir por sua astúcia, inteligência e engenhosidade. De respostas espirituosas, era arguto o suficiente para fazer intrigas, blefar e enganar os patrões. Já o segundo tipo de criado era insensato, confuso e tolo. Na prática, porém, havia uma certa "contaminação" de um pelo outro. O primeiro zanni é mais conhecido como Brighella, e o segundo como Arlecchino.
Pelas características acima descritas, não é difícil relacionar a dupla de zanni à dupla de clowns, o branco e o augusto.
A essência do circo acompanha desde muito o cotidiano do homem. Segundo Ruiz, pesquisadores afirmam que no ano de 70 a.C., em Pompéia, já existia um enorme anfiteatro destinado a exibições de habilidades que posteriormente seriam caracterizadas como circenses. Por outro lado, na China, já por volta de 200 a.C. as artes acrobáticas se encontravam em desenvolvimento. Números até hoje tradicionais, como o equilíbrio sobre corda bamba, magia, engolir espadas e fogo, já eram conhecidos e praticados, naquela época, pelos chineses. (10)
O circo tal como existe em nossa concepção nasceu há pouco tempo. A criação do circo moderno se deu em 1768, por Philip Astley, em Londres. Astley, um ex-sargento auxiliar de cavalaria, hábil treinador de cavalos, foi o primeiro a descobrir que, se galopasse em círculos, de pé sobre o dorso nu do cavalo, teria o equilíbrio facilitado pela força centrífuga. Estava inventado, então, o picadeiro. Durante 150 anos, os cavalos dominaram os espetáculos circenses, mas pouco a pouco outros artistas se incorporaram à trupe. (11)
Já na época de Philip Astley, exímios cavaleiros realizavam o célebre número do "recruta da cavalaria", em que simulavam camponeses simplórios e astutos que, com suas extravagâncias, divertiam as platéias. Naquela época também surgiu na Inglaterra a dupla branco-augusto: no trabalho de dois grandes cavaleiros do século XVIII (Saunders e Fortinelli), que exploravam os números de "grotesco a cavalo". (12)
É interessante notar que existe maior riqueza na comicidade quando os dois tipos atuam em dupla, pois um serve de contraponto ao outro. Eles são encontrados tanto nos espetáculos circenses da Inglaterra como nos dois zanni da commedia dell'arte.
O clown também desempenha função semelhante à dos bufões e bobos medievais, quando brinca com as instituições e valores oficiais. Ele, pelos nomes que ostenta, pelas roupas que veste, pela maquiagem (deformação do rosto), pelos gestos, falas e traços que o caracterizam, sugere a falta de compromisso com qualquer estilo de vida, ideal ou institucional. É um ser ingênuo e ridículo; entretanto, seu descomprometimento e aparente ingenuidade lhe dão o poder de zombar de tudo e de todos impunemente. O princípio desmistificador do riso, presente na cultura popular medieval renascentista, apareceu no cômico circense, fundamentado, basicamente, na figura do palhaço.
Em suas andanças através do tempo, o clown ocupou diversos espaços: a rua, a praça, a feira, o picadeiro, o palco. Com o advento do cinema, no início do século XX, ele encontrou um novo lugar para continuar revelando à humanidade seu lado ridículo e patético.
O primeiro clown do cinema foi o francês Gabrielle Leuvielle, que tem por pseudônimo Max Linder. Ele dirigia e atuava em seus filmes. Exatamente como os clowns, Max Linder utilizava tudo o que sabia fazer (dançar, saltar, montar a cavalo, etc.). Sua motivação era o desejo de fazer um número circense, exemplo que será seguido por todos os seus sucessores até Jerry Lewis. Os argumentos que tinha por tema eram sempre, como nas entradas de clowns, extremamente simples. Eram as sucessões de gags que mantinham o interesse; o roteiro não passava de um pretexto para a criação de situações cômicas, assim como na commedia dell'arte. Max Linder buscou sua inspiração no teatro de vaudeville (teatro cômico musical, apresentado em bares e cabarés). E, sobretudo, no circo. (13)
Os clowns do cinema retomaram diversas gags já usadas anteriormente por outros colegas de cinema ou por clonws de circo. Chaplin, em Em busca do ouro, na "dança dos pequenos pães" se inspirou nos fantoches de barracas de feiras. "Nada mais natural, pois este costume vem justamente do circo, onde, ao redor das mesmas receitas, brilham os cozinheiros de diferentes gostos". (14)
Com freqüência, os cômicos do cinema transportavam diretamente para seu veículo um trabalho própriol do circo. Todos esses cômicos se formaram nas escolas do circo e do music-hall. Cada um deles era acrobata, dançarino, malabarista, cuspidor de fogo, mímico. E é bastante normal que eles retenham de suas origens tudo o que pode enriquecer esta nova arte: o cinema.
Como nos clowns do circo europeu, eles criaram para o cinema tipos originais e únicos - diferentemente do comediante, que deve poder encarnar personagens os mais diversos. Carlitos é o clown de Chaplin, pessoal e único, não importando se desempenha o papel de O grande ditador, do vagabundo de O garoto ou do operário em Tempos modernos.
Do ponto de vista da técnica do clown utilizada, alguns desses tipos do cinema chegaram a um grande nível de requinte. Dentre eles, destacaria Charles Chaplin, a dupla Hardy e Laurel (o Gordo e o Magro), Buster Keaton, Harold Lloyd, Jacques Tati, Jerry Lewis, Mazzaropi, Oscarito, Grande Otelo e outros.
O clown é a exposição do ridículo e das fraquezas de cada um. Logo, ele é um tipo pessoal e único. Uma pessoa pode ter tendências para o clown branco ou o clown augusto, dependendo de sua personalidade. O clown não representa, ele é - o que faz lembrar os bobos e os bufões da Idade Média. Não se trata de um personagem, ou seja, uma entidade externa a nós, mas da ampliação e dilatação dos aspectos ingênuos, puros e humanos (como nos clods), portanto "estúpidos", de nosso próprio ser. François Fratellini, membro de tradicional família de clowns europeus, dizia: "No teatro os comediantes fazem de conta. Nós, os clowns, fazemos as coisas de verdade." (15)
O trabalho de criação de um clown é extremamente doloroso, pois confronta o artista consigo mesmo, colocando à mostra os recantos escondidos de sua pessoa; vem daí seu caráter profundamente humano.


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